O mercado de LED no Brasil está brilhando os olhos dos profissionais do setor de comunicação visualatraindo cada vez mais atenção de empresários e profissionais. Durante a FuturePrint, o especialista e consultor Newton Máximo apresentou uma palestra onde destacou a forte tendência de migração dos formatos tradicionais para a tecnologia de painéis de LED, trazendo explicações técnicas e análises sobre as oportunidades e desafios desse mercado em ascensão. 

“Se vocês forem prestar atenção no mercado, vocês vão ver que há uma tendência que está se afunilando para o LED”, afirmou. Ele complementa que não se trata de uma tecnologia extinguir a outra, mas sim de se complementarem: “Existem situações que são inevitáveis, você tem que usar uma média estática, onde o LED vai ser impossível ser aplicado. Mas existem muitas aplicações em que o LED vai se fazer praticamente obrigatório.” 

Para ilustrar essa realidade, Gilson Fernandes, CEO da Ultra Sign, conta que que prestou serviços por 12 anos no Aeroporto de Viracopos  e confirma esse movimento. Ele conta que perdeu espaço no aeroporto por não ter acompanhado a transição tecnológica a tempo. “Os pontos que eram estáticos, viraram painel de LED. Logo, eu perdi o cliente, virou tudo para o painel de LED”, compartilhou. 

Negociações no escuro e a importância da expertise técnica 

A carência de conhecimento técnico, tanto por parte de vendedores quanto de compradores, é um dos principais entraves no mercado de painéis de LED no Brasil. De acordo com o consultor, essa lacuna resulta em investimentos mal direcionados e prejuízos significativos. 

“Infelizmente, no Brasil, há muitos vendedores que não sabem o que estão vendendo e compradores que não sabem o que estão comprando. Isso cria um cenário de negociações às cegas, gerando problemas e perda de dinheiro”, alertou o especialista. 

Newton destacou que a falta de informações técnicas detalhadas leva à elaboração de orçamentos genéricos, que frequentemente omitem especificações importantes, como a marca das lâmpadas, do circuito integrado (CI) e da fonte de energia. Essa ausência de clareza compromete a qualidade dos projetos e dificulta o desenvolvimento sustentável do setor. 

A evolução do LED: da ciência à tecnologia moderna 

Os LEDs, hoje presentes em telas de alta resolução, iluminação e painéis de comunicação visual, têm uma história marcada por avanços científicos e tecnológicos. Mas, no Brasil, ainda poucos conhecem a história e os detalhes científicos por trás dessa inovação. O  especialista explicou os principais marcos dessa evolução, destacando o papel do LED azul e os fatores que influenciam a qualidade dos painéis. 

Linha do tempo: os marcos históricos do LED 

  1. 1927: Oleg Losev, cientista russo, realiza os primeiros estudos teóricos sobre o LED. 
  1. 1962: Nick Holonyak, da General Electric, descobre o LED vermelho, o primeiro a ser comercializado. 
  1. 1969: George Craford, da Monsanto, desenvolve o LED amarelo, seguido pelo verde. 
  1. Década de 1990: Com a mistura das três cores primárias (vermelho, verde e azul), surgem os primeiros painéis de LED de alta resolução. 
  1. 1993: Shuji Nakamura desenvolve um LED azul de alto brilho baseado em nitreto de gálio, avanço que viabilizou telas RGB e aplicações modernas da tecnologia.
  1. 2014: Isamu Akasaki, Hiroshi Amano e Shuji Nakamura recebem o Prêmio Nobel de Física pela invenção de LEDs azuis eficientes.

Por que o LED azul foi um marco? 

Newton destacou que o LED azul foi fundamental para a tecnologia moderna. “Sem o azul, não era possível criar as telas de alta resolução que temos hoje. Apenas com o vermelho e o verde, não conseguimos reproduzir todas as cores visíveis ao olho humano. O azul completa o espectro RGB (vermelho, verde e azul), permitindo a mistura das três cores primárias para gerar todas as outras cores”, destacou. 

Esse avanço permitiu a criação de TVs, telas de celulares e painéis de LED com qualidade superior, transformando o mercado global de tecnologia. 

Como funciona o LED? 

O consultor também detalhou o funcionamento do LED, explicando que ele não utiliza lentes para emitir luz, mas sim uma reação eletroquímica. 

“O LED acende por meio de uma junção PN, onde átomos são dopados com elementos químicos específicos. Quando energizados, os elétrons liberam fótons, que são partículas de luz. A cor emitida depende do material químico utilizado e da energia liberada”, disse o especialista. 

Aspectos técnicos que influenciam a qualidade 

LEDs modernos: SMD (Surface Mounted Device) 

Os LEDs atuais encapsulam pequenos filamentos de vermelho, verde e azul em uma cápsula fixada no PCB (placa de circuito impresso). “A qualidade do LED depende do tamanho do semicondutor e do processo de fabricação. Quanto maior o semicondutor, maior a vida útil, o brilho e a consistência da cor”, afirmou Newton. 

Fator MacAdam: precisão na luz emitida 

O educador trouxe uma explicação técnica sobre o fator MacAdam (conhecido na iluminação como SDCM), mede a variação de cor entre diferentes fontes de luz LED.  

“Quanto mais próximo de 1, maior a qualidade da lâmpada. Empresas de renome investem em lotes de alta precisão, enquanto painéis de segunda ou terceira linha utilizam lotes mistos, o que pode resultar em variações perceptíveis na tonalidade da luz emitida”, detalhou o especialista.  

Em termos simples, indica se duas lâmpadas acesas parecem ter a mesma cor exata. Quanto menor o número, maior é a uniformidade visual e a precisão da cor. 

Ele também destacou que essa variação pode impactar diretamente na uniformidade visual e na percepção estética dos projetos, sendo um fator decisivo para profissionais que buscam excelência em comunicação visual e iluminação. 

Dicas para escolher um painel de LED 

Com essas informações, o consultor alertou sobre a importância de considerar a qualidade e a marca das lâmpadas ao investir em painéis de LED. 

Fatores essenciais na escolha de um painel de LED: 

  • Qualidade da lâmpada: Verifique o tamanho do semicondutor e a consistência da luz emitida. 
  • Marca: Prefira fabricantes reconhecidos que investem em lotes de alta qualidade. 
  • Construção: Avalie o processo de fabricação e os materiais utilizados. 
  • Aplicação: Escolha a taxa de atualização e o pixel pitch adequados para o uso específico. 

“Quando você for comprar seu painel, preste atenção na qualidade, na marca da lâmpada e na forma como ela foi construída. Esses detalhes são cruciais para garantir um bom desempenho e evitar problemas futuros”, finaliza Newton.