Quem trabalha com impressão conhece a cena. A impressora está pronta para produzir, o cliente aguarda a entrega, mas o computador demora para abrir a arte, o software trava ou o arquivo leva vários minutos para ser processado. Enquanto isso, a produção simplesmente para.
Embora muitos empresários associem esses problemas aos equipamentos de impressão, a origem costuma estar em outro lugar: a infraestrutura de tecnologia da empresa.
Esse foi um dos principais alertas apresentados por Maurício Kano, proprietário da Kanonet Soluções em TI e Impressão Digital, durante participação no Talks FutureTêxtil, atração da FuturePrint dedicado a tendências, inovação e desenvolvimento de negócios para a indústria têxtil.
Segundo o especialista, boa parte das perdas de produtividade nas pequenas estamparias e empresas de comunicação visual acontece porque a infraestrutura de TI deixa de acompanhar a evolução dos equipamentos de impressão.
“A pergunta não é quanto custa resolver isso. É quanto já custou a gente não dar atenção para isso. Quantas horas vocês perderam de produção? Quanto retrabalho já foi feito?”, afirmou o especialista.
Uma máquina com pouca memória, armazenamento inadequado ou sem manutenção pode transformar tarefas simples em gargalos. Abrir uma arte pesada, processar arquivos no RIP ou editar imagens passa a consumir minutos preciosos, deixando impressoras e operadores esperando.
Investir melhor, não necessariamente mais
Para Kano, um erro frequente é acreditar que produtividade depende de comprar o computador mais potente disponível.
Segundo ele, muitas empresas acabam investindo em máquinas montadas para jogos quando a necessidade da operação é outra. Em diversos casos, um servidor corporativo ou até equipamentos recondicionados oferecidos pelos próprios fabricantes entregam mais estabilidade e vida útil, muitas vezes por um custo menor.
Outra recomendação é manter uma rotina de manutenção preventiva. Poeira acumulada, superaquecimento, arquivos temporários e falta de memória RAM reduzem o desempenho gradualmente, fazendo com que o empresário se acostume com uma lentidão que poderia ser evitada.
O arquivo vale tanto quanto a impressora
Além da produtividade, a palestra chamou atenção para um patrimônio que muitas pequenas empresas subestimam: os arquivos digitais.
Artes aprovadas, estampas exclusivas, logotipos e históricos de clientes representam horas de trabalho e, em muitos casos, não podem ser recuperados caso sejam perdidos.
Por isso, o especialista defende que o backup automático e armazenado fora da empresa deixe de ser tratado como um custo e passe a fazer parte da rotina operacional.
“A única coisa que protege do ransomware é um backup fora da empresa”, alerta.
Ele também recomenda limitar o acesso aos arquivos internos, manter os sistemas atualizados e evitar softwares piratas, que frequentemente reduzem o desempenho das máquinas e aumentam a exposição a ataques virtuais.
Kano defende que a infraestrutura de TI seja vista não só como uma questão de informática, mas também como parte da estratégia do negócio. Afinal, em um mercado cada vez mais orientado por prazos curtos, personalização e produção sob demanda, um computador lento pode custar muito mais do que parece.