O avanço dos painéis de LED na comunicação visual está criando novas possibilidades de aplicação, mas também evidencia uma demanda crescente por profissionais capazes de instalar, configurar e manter os equipamentos. Na avaliação do especialista Newton Máximo, a expansão desse mercado deve aumentar a procura por mão de obra técnica, especialmente entre empresas que pretendem incorporar a tecnologia ao portfólio de soluções.
Em entrevista ao FuturePrint Digital durante a FuturePrint, Newton destacou que o LED deixou de estar concentrado em grandes shows e eventos para ganhar espaço em projetos que exigem maior definição de imagem, diferentes formatos de tela e integração com ambientes comerciais.
Segundo ele, a evolução da resolução dos equipamentos foi determinante para ampliar as aplicações da tecnologia.
“Eu percebi a tendência do LED em 2014 e 2015, quando comecei a ver as primeiras aplicações com resolução mais alta. Antes, víamos painéis em shows que muitas vezes exibiam apenas animações. Quando começaram a colocar vídeos e montar telas gigantes, percebi que aquilo iria crescer”, afirma.
Evolução da tecnologia amplia as aplicações
A relação de Newton com os painéis de LED começou no mercado de eventos. Músico e integrante de uma banda de baile, ele decidiu adquirir um equipamento para utilizar nas apresentações. Os problemas técnicos que surgiram durante a operação fizeram com que buscasse conhecimento sobre montagem, configuração e manutenção.
“Comprei um painel de LED para colocar na banda. Ele começou a dar problema e eu fui obrigado a aprender. Quando comecei a pesquisar, fiquei apaixonado pela tecnologia e percebi que era aquilo que eu queria para a minha vida”, relata.
O contato com empresas de eventos, DJs e outros compradores de painéis aumentou entre 2018 e 2019. Como ainda havia poucos profissionais especializados, Newton passou a receber pedidos de suporte técnico e orientação sobre os equipamentos.
A demanda levou à criação de um treinamento on-line, inicialmente concebido como uma atividade complementar. O projeto ganhou relevância durante a pandemia, quando a paralisação dos eventos interrompeu sua principal fonte de renda.
Com o aumento da procura por cursos a distância, o treinamento passou a alcançar alunos de diferentes regiões do Brasil e de outros países. Atualmente, segundo Newton, a plataforma reúne cerca de 2 mil estudantes, com participantes de mercados como Portugal, Estados Unidos, Japão, França, Alemanha, Itália, Holanda, Suíça, Angola e Moçambique.
Contato com fábricas ajuda a acompanhar inovações
A experiência no suporte técnico também aproximou Newton dos fabricantes e desenvolvedores de soluções para painéis de LED. Além de trabalhar durante cinco anos no gerenciamento remoto da área de suporte de uma empresa, ele passou a viajar para a China para acompanhar a produção dos equipamentos.
O especialista afirma que o acesso às fábricas permitiu compreender etapas que vão além da montagem final, como o desenvolvimento dos componentes, os sistemas de controle e os processos adotados por engenheiros e equipes técnicas.
“Trabalhei dentro de fábrica de LED na China para ganhar conhecimento. Tive acesso aos engenheiros, aos técnicos e ao pessoal que desenvolvia a tecnologia. Isso ajudou muito”, conta.
Para Newton, esse acompanhamento é necessário porque os equipamentos, softwares de controle e possibilidades de aplicação passam por atualizações frequentes. A formação dos profissionais, portanto, não deve terminar após o primeiro treinamento.
“Eu continuo fazendo cursos dentro das fábricas para me atualizar. A tecnologia muda, então o conteúdo também precisa ser atualizado”, afirma.
Falta de mão de obra abre espaço para diferentes profissionais
Na avaliação do especialista, uma das principais oportunidades do mercado está na formação de profissionais para atividades técnicas. A cadeia não depende apenas de quem comercializa os painéis, mas também de instaladores, montadores, responsáveis pela configuração dos sistemas, técnicos de manutenção e fabricantes de estruturas.
Newton aponta, por exemplo, que ainda existem poucas empresas especializadas na fabricação das estruturas metálicas que sustentam os equipamentos. Embora parte desse trabalho possa ser realizada por serralherias, a instalação de painéis exige conhecimento sobre medidas, encaixes, distribuição dos gabinetes e características do projeto.
Atenção aos detalhes reduz falhas nos projetos
Embora os painéis possam parecer modulares e relativamente simples de montar, Newton alerta que pequenos erros podem comprometer a instalação, a qualidade da imagem e o funcionamento do equipamento.
Configuração incorreta, estrutura fora de medida, conexão inadequada dos módulos e desconhecimento sobre os componentes são alguns dos fatores que podem gerar falhas ou elevar os custos de manutenção.
Por isso, o especialista recomenda que os profissionais evitem treinamentos superficiais e compreendam todas as etapas da operação.
“No LED, o grosso não faz diferença. O que vai fazer diferença é o detalhe. Quando a pessoa menospreza um detalhe porque acha irrelevante, acaba se complicando depois”, afirma.
A orientação também vale para empresas de comunicação visual que avaliam investir na tecnologia. Além do preço do equipamento, a decisão precisa considerar capacitação da equipe, suporte técnico, estrutura de instalação, manutenção e compatibilidade entre os componentes.
“Existe espaço para trabalhar como instalador, montador e fabricante de estruturas. Está faltando mão de obra. A estrutura metálica precisa ter a medida exata para que os gabinetes sejam montados e o sistema seja implementado corretamente”, explica.
Essa diversidade de atividades permite a entrada de profissionais com diferentes formações. Segundo Newton, o acesso ao mercado não depende necessariamente de uma graduação, mas exige dedicação ao aprendizado técnico e disposição para acompanhar a evolução dos equipamentos.
“Para quem está pensando em trabalhar com LED, a dica é fazer um esforço para estudar. Se você não estudar esse mercado, não consegue ter êxito. Mas, quando a pessoa se aprofunda, encontra muito campo para trabalhar”, diz.
Integração com a comunicação visual aproxima novos públicos
Newton passou a integrar o grupo de embaixadores da FuturePrint depois de ser conhecido pelo conteúdo técnico publicado em plataformas digitais. Para ele, a aproximação com a feira acompanha a presença cada vez maior do LED nos projetos de comunicação visual.
Embora sua trajetória tenha começado no setor de eventos, o especialista observa que as fronteiras entre os mercados estão diminuindo. Impressão digital, sinalização, conteúdo audiovisual, estruturas e telas eletrônicas podem fazer parte de um mesmo projeto.
Nesse contexto, eventos setoriais permitem que profissionais conheçam equipamentos, comparem soluções e identifiquem áreas de atuação que ainda não fazem parte de seus negócios.
“Uma feira como essa gera uma cadeia de negócios com muitas oportunidades de investimento. Você encontra painel de LED, soluções de impressão, impressão 3D e diferentes tecnologias. Mesmo quem ainda não sabe em qual área investir pode encontrar possibilidades”
Para Newton, a resistência ao novo ainda pode atrasar a adoção de algumas soluções. No entanto, a evolução tecnológica e a necessidade de oferecer experiências visuais mais dinâmicas devem manter os painéis de LED no radar de empresas e profissionais da comunicação visual.
“A tecnologia vem para facilitar a nossa vida, mas normalmente temos aversão ao novo e medo de sair da zona de conforto. O que estamos vendo em termos de inovação é impressionante”, conclui.