O setor de serigrafia, também conhecido como silk-screen, tem se destacado pela sua capacidade de reinvenção e inovação. Essa evolução ganha ainda mais relevância em eventos como a  FuturePrint, reconhecida como a maior feira do segmento, onde especialistas e expositores apresentam as mais recentes tecnologias e tendências que estão moldando o futuro da serigrafia. 

Entre os principais avanços apresentados na feira, destacam-se os equipamentos automatizados e as soluções desenvolvidas para otimizar a produtividade. Essas inovações não apenas ampliam a eficiência e a precisão dos processos, mas também elevam os padrões de qualidade, atendendo às demandas de um mercado cada vez mais competitivo e dinâmico. 

Márcio Strama, conhecido como Dr. Estampa, embaixador da FuturePrint e empreendedor com mais de 36 anos de experiência no setor, reforça a importância da feira para a sobrevivência e evolução da serigrafia. “A FuturePrint é essencial para o nosso segmento. Nunca se imprimiu tanto no mundo como agora, e isso mantém viva a serigrafia”, afirma.  

Ele destaca que grandes empresas estão investindo em equipamentos apresentados na feira e adaptando técnicas híbridas que integram serigrafia e impressão digital, mostrando que a técnica não apenas se mantém relevante, mas também se transforma para atender às novas exigências do mercado. 

Entre os avanços tecnológicos, os equipamentos automatizados e soluções voltadas para produtividade são os grandes protagonistas. Márcio explica que, embora a automação tenha gerado receios no passado, hoje ela complementa a serigrafia, elevando os padrões de qualidade e eficiência. “O mundo agora é impressão digital, mas os equipamentos vieram para somar, não para substituir. Eles exigem operadores mais preparados, e isso está profissionalizando o setor”, comenta. 

Uma profissão que atrai empreendedores e se reinventa no mercado 

A serigrafia, mais do que uma técnica de impressão, é considerada uma profissão que tem atraído empreendedores pela sua versatilidade e potencial de inovação. Reconhecida por sua capacidade de adaptação às demandas do mercado, é uma oportunidade acessível para quem busca empreender, ao mesmo tempo em que exige criatividade e diferenciação para se manter competitivo. 

Rufus Gozzolli, da Sprock Estamparia, também é embaixador da FuturePrint e com 15 anos de experiência no setor, é um exemplo de como a serigrafia pode transformar paixão em profissão. “Eu sou louco por serigrafia desde o primeiro contato. Tive uma loja de rock onde vendia camisetas de bandas, e foi aí que surgiu a ideia de abrir uma estamparia para produzir minhas próprias camisetas. Desde então, já são anos dedicados à serigrafia, e hoje ensino a técnica em cursos para ajudar outras pessoas a empreenderem com essa arte”, conta Rufus, que hoje se dedica a compartilhar seu conhecimento com novos empreendedores. 

Para quem deseja começar a empreender na serigrafia, Rufos destaca que o essencial é ter dedicação, vontade e sonhar. “Empreender é a única forma de alcançar grandes resultados hoje. Não é fácil, mas é gratificante. Para quem quer começar, com um investimento inicial de cerca de R$ 500, já é possível adquirir rodo, tela e tinta e dar os primeiros passos. Mas, para quem quer crescer, é melhor investir em equipamentos. O mais importante é começar, tentar, e se não der certo, tentar de novo”, explica. 

Além disso, ele reforça a importância de buscar conhecimento para enfrentar os desafios do mercado. “Buscar conhecimento é essencial. Nos cursos, ensinamos toda a técnica necessária para abrir uma estamparia e também falamos sobre o mercado. É importante estar preparado para os desafios e entender como funciona o setor”, afirma Rufus, que acredita que a capacitação é um dos pilares para o sucesso no empreendedorismo. 

Dr. Estampa, complementa que é um mercado de entrada fácil, mas que premia aqueles que investem em inovação e visibilidade. “Quem empreende com serigrafia precisa estar presente em eventos como a FuturePrint, que traz as principais novidades e tecnologias. Quem é tímido perde espaço para quem está antenado e disposto a se destacar”, afirma. 

Tecnologia e automação  

A profissão também tem se beneficiado de avanços tecnológicos, como equipamentos automatizados e soluções híbridas que integram serigrafia e impressão digital. Márcio, explica que, apesar de no passado a automação ter gerado dúvidas, hoje ela é vista como uma ferramenta essencial. “Os equipamentos vieram para somar, exigindo operadores mais preparados e ajudando a profissionalizar o setor”, afirma. 

Rufus reforça que a técnica continua relevante e em constante evolução. “Nós ensinamos a serigrafia raiz, manual, e mesmo com tanta tecnologia ao redor, como DTF e DTG, a serigrafia segue crescendo junto. É um mercado que não para de se expandir”, explica. 

Ele também destaca que a automação é uma aliada importante para quem busca crescer no mercado. “A automação vem para somar. Tudo que ajuda a fazer tiragens altas é positivo, especialmente para quem tem o sonho de transformar seu negócio em uma indústria. Investir em máquinas que facilitam o trabalho é sempre uma boa escolha para quem quer empreender”, completa Rufus. 

Dr. Estampa complementa que embora a automação tenha gerado receios no passado, hoje ela complementa a técnica, elevando os padrões de qualidade e eficiência. “Os equipamentos vieram para somar, exigindo operadores mais preparados e profissionalizando o setor”, comenta. 

Na opinião dele, os equipamentos automáticos não vieram para substituir os trabalhadores, mas sim para complementar o trabalho humano, exigindo que as equipes sejam mais qualificadas e atuem como operadores especializados, e não apenas como funcionários. “Essa evolução tecnológica dos equipamentos foi essencial para elevar o nível de preparo dos profissionais e melhorar a eficiência dos processos em geral.” 

Novidades tecnológicas para qualidade e aumento da produção 

Os visitantes da FuturePrint tiveram a oportunidade de conhecer de perto as inovações apresentadas pelas principais empresas do setor. A ROQ, com mais de 40 anos de experiência e 30 anos de atuação no Brasil, destacou-se ao trazer para a feira máquinas de automação de alta tecnologia desenvolvidas em Portugal. 

Com foco em inovação, automação e sustentabilidade, a ROQ segue como uma das principais empresas do setor, oferecendo soluções que transformam a serigrafia em um processo mais eficiente, acessível e alinhado às demandas do mercado atual. 

O grande destaque da empresa na feira foi o carrossel automático com 10 berços e capacidade para trabalhar com até quatro cores e quatro secadores. A máquina, que possui uma área de impressão de 40×50 cm, foi adaptada para demonstrar a possibilidade de trabalhar com peças fechadas, atendendo às demandas de clientes que preferem esse formato. 

Além disso, a empresa trouxe o ROQ Iron, uma prensa que pode ser utilizada tanto no início quanto no final do processo de impressão, garantindo um toque final mais refinado na estampa. 

Segundo Celina Furtado, gerente comercial da ROQ BR, embora muitos empreendedores ainda tenham receio de investir em equipamentos automáticos devido ao custo inicial, a ROQ busca desmistificar essa percepção.  

A empresa oferece financiamento próprio, facilitando o acesso às suas máquinas e garantindo que os clientes possam implementar a automação sem grandes barreiras financeiras. “Nosso objetivo é mostrar que o investimento faz sentido, pois o retorno é garantido quando o processo é feito corretamente, com o uso de quadros e tintas adequados”, afirma. 

Embora a FuturePrint não seja uma feira exclusivamente voltada para o segmento têxtil, a ROQ tem participado do evento há vários anos, aproveitando a oportunidade para divulgar seus produtos e receber feedback dos clientes. “A feira nos permite mostrar nossas novidades, ouvir sugestões e até mesmo reclamações, o que é muito positivo para aprimorar nossos serviços. Além disso, conseguimos realizar vendas de equipamentos durante o evento, o que reforça a importância de estarmos presentes”, destacam. 

Inovação com foco em personalização e automação 

A HB, empresa com 69 anos de história no mercado de serigrafia, também marcou presença na FuturePrint. Com uma trajetória de 32 participações na feira, a empresa reafirma seu compromisso com a personalização e a evolução da serigrafia. 

Segundo Ildione Dogado, gerente comercial e de marketing da HB, a empresa trouxe para a feira uma ampla gama de produtos e equipamentos voltados para a automação e personalização. Entre os destaques estão máquinas para emulsionamento, esticagem e gravação de telas, além de novas tintas base d’água para estamparia de camisetas e tintas Plastisol. 

Para o expositor, a automação tem sido um dos pilares para superar os desafios do setor, como a falta de mão de obra especializada e o retrabalho. Dogado afirmaque tecnologias simples, como máquinas automáticas de emulsionamento de telas, podem reduzir perdas de materiais e garantir uma gravação de alta qualidade. “Com automações acessíveis e de longa duração, é possível agregar muito valor ao processo, eliminando a necessidade de especialistas e otimizando o trabalho”, explica. 

Além disso, a automação permite que pequenos e médios empreendedores alcancem maior eficiência e qualidade em seus produtos, com investimentos que se pagam ao longo do tempo. “Uma máquina de emulsionar quadros, por exemplo, pode durar até 20 anos, enquanto uma DTF tem uma vida útil de cerca de cinco anos. A obsolescência é muito menor, o que torna o investimento mais vantajoso”, complementa. 

Na opinião dele, a FuturePrint é fundamental para abrir a mente dos empreendedores, apresentar novidades e fomentar a criatividade. “Mesmo que você não compre nada, o contato com outras pessoas e ideias pode transformar o seu negócio”, conclui. 

História da Serigrafia 

Como uma técnica milenar de impressão baseada no estêncil,  surgiu na China e no Japão para estampar tecidos e armaduras. No século XX, popularizou-se na arte e na indústria. Hoje, funciona transferindo tinta através de uma tela vazada com o uso de luz e moldes.  

Durante a Segunda Guerra Mundial, os norte-americanos usaram a serigrafia para produzir cartazes de propaganda em grande escala. Isso chamou a atenção de artistas plásticos. Na década de 1960, ícones da Pop Art como Andy Warhol transformaram o método em arte fina. Eles fizeram serigrafias famosas de celebridades e produtos de consumo em massa.  

Já nos anos 2000, a serigrafia passou por uma transformação significativa. Embora a técnica tenha mantido sua força na estamparia e nas artes, começou a dividir espaço com a impressão digital. A popularização dos computadores pessoais e a digitalização dos processos aceleraram tanto a criação de desenhos quanto a revelação de matrizes, marcando uma nova era para o setor. 

Competição Rodo de Ouro  

Segundo especialistas, o futuro da serigrafia no Brasil é promissor, e eventos como a FuturePrint desempenham um papel fundamental nesse cenário. Um dos destaques é a competição  Rodo de Ouro, que reúne talentos do Brasil e de toda a América Latina, evidenciando a importância da qualificação técnica no setor. 

Lançada na FuturePrint 2025, a competição foi a primeira disputa oficial do segmento no Brasil, com o objetivo de celebrar habilidades indispensáveis, como precisão, acabamento impecável e adaptação às novas demandas. Além disso, o evento promove o desenvolvimento profissional, incentiva a busca pela excelência e proporciona visibilidade e troca de experiências entre os participantes. 

Em sua segunda edição, o  Rodo de Ouro  amplia sua abrangência para toda a América do Sul, reunindo equipes de diversos países, além do Brasil. Com essa expansão, a competição se consolida como um evento internacional, destacando-se como uma plataforma de integração, troca de experiências e celebração das melhores práticas no setor de serigrafia.