Aumentar a produtividade na impressão digital já não depende apenas de equipamentos mais rápidos. Cada vez mais, o ganho de eficiência passa pela automação do fluxo de trabalho, especialmente entre micro e pequenas empresas de comunicação visual. 

Em muitos casos, o principal gargalo está na pré-impressão. Conferir arquivos, ajustar sangrias, preparar acabamentos e gerar versões para impressão e corte ainda são tarefas realizadas manualmente, consumindo tempo e aumentando o risco de erros. 

Esse foi o ponto de partida da palestra de Kleber Eccher, sócio da Kdoze Impressão Digital, no Fachada Makers, durante a FuturePrint 2026.  

“Hoje a maioria das empresas fica travada na pré-impressão. O operador abre cada arquivo, analisa, verifica sangria, prepara acabamento, gera um arquivo para impressão e outro para corte. Grande parte desse processo pode ser automatizado”

O novo gargalo da impressão digital 

Durante muitos anos, o principal desafio da impressão digital era aumentar a velocidade de produção. Com a evolução dos equipamentos, essa realidade mudou. Hoje, impressoras cada vez mais rápidas acabam aguardando enquanto operadores executam tarefas repetitivas na preparação dos arquivos. 

É justamente nesse ponto que a automação começa a ganhar espaço. Em vez de configurar manualmente cada trabalho, as empresas podem criar regras para diferentes tipos de produtos.  

Assim, um banner pode receber automaticamente sangrias, áreas para acabamento, marcas de corte e demais configurações necessárias antes mesmo de chegar à fila de impressão.  

Na visão de Eccher, isso muda o papel do profissional responsável pela impressão. “O impressor passa a ser realmente um operador. Ele recebe a ordem de serviço, coloca o material na máquina e inicia a produção. Todo o restante já foi preparado anteriormente”, explicou.  

Esse tipo de organização não só reduz etapas, como também diminui a dependência de processos individuais, reduz falhas operacionais e torna a produção mais previsível. 

Menos desperdício, mais margem 

Outro benefício direto da automação está no melhor aproveitamento dos materiais. 

Além de preparar automaticamente os arquivos, os sistemas conseguem organizar as peças de maneira mais eficiente sobre lonas, adesivos, chapas de PVC e outros substratos, reduzindo áreas vazias e diminuindo o desperdício. 

O especialista explicou que o PrintFactory é um software que considera o formato real das peças durante a montagem, o que permite encaixes mais precisos do que aqueles realizados manualmente. “Ele encaixa as peças uma dentro da outra e tenta aproximá-las ao máximo, economizando ainda mais material”, contou Eccher.  

O ganho também aparece no consumo de tinta e na redução do retrabalho, fatores que impactam diretamente a rentabilidade das pequenas empresas.  

Para negócios que trabalham diariamente com banners, adesivos, painéis e materiais promocionais, pequenas economias em cada pedido podem representar uma diferença significativa no resultado financeiro ao longo do mês. 

Quando uma impressora vira gargalo 

Outro problema recorrente nas empresas de comunicação visual é a dificuldade de manter o padrão de cores entre diferentes equipamentos. 

Isso faz com que determinados trabalhos sejam direcionados sempre para a mesma impressora, enquanto outras permanecem parcialmente ociosas. 

“Tem cliente que diz: ‘esse trabalho só pode rodar nessa máquina porque só ela faz esse azul ou esse laranja’. Isso cria outro gargalo, porque uma máquina fica sobrecarregada enquanto as outras ficam paradas”, comentou o especialista.  

Ferramentas de equalização de cores, segundo Eccher, permitem distribuir melhor a produção entre diferentes equipamentos, aumentando o aproveitamento do parque instalado sem comprometer a identidade visual dos trabalhos.  

Para pequenas empresas que começam a diversificar seus equipamentos, esse tipo de padronização pode representar mais flexibilidade para atender diferentes demandas sem criar gargalos na operação. 

Casos práticos mostram ganhos na produção 

Eccher compartilhou exemplos de empresas que conseguiram reorganizar sua produção após automatizar parte do fluxo de trabalho. 

Um dos casos foi o de Gabriel Daris, que possuía quatro impressoras flatbed, mas precisava concentrar determinados trabalhos sempre no mesmo equipamento por causa das diferenças de cor. 

Após a padronização dos perfis de impressão, qualquer uma das máquinas passou a produzir os mesmos trabalhos. “Hoje ele consegue imprimir todos os trabalhos em qualquer uma das impressoras. Nenhuma máquina fica parada”, relatou.  

Outro exemplo foi o da Caisen, empresa especializada em comunicação visual que opera com diferentes tecnologias de impressão. Eccher comentou que a equalização de cores entre os equipamentos chegava a consumir entre dois e quatro dias antes da entrega de uma campanha. “Hoje eles fazem isso em minutos”, afirmou.  

Também foi apresentado o caso da IFP, que mantém operações em São Paulo e Porto Alegre produzindo campanhas simultaneamente com o mesmo padrão visual, mesmo utilizando equipamentos distintos.  

Automatizar para crescer 

Embora muitas soluções de automação tenham surgido inicialmente para atender grandes operações industriais, elas começam a se tornar mais acessíveis também para pequenas empresas. 

Recursos como pastas monitoradas, validação automática de arquivos, geração de múltiplas cópias e integração entre impressão e acabamento permitem reduzir tarefas repetitivas sem exigir mudanças radicais na operação.  

Para um mercado que enfrenta pressão constante por prazos menores, maior variedade de produtos e necessidade de aumentar a produtividade, automatizar processos deixa de ser apenas uma questão tecnológica e passa a representar uma estratégia de competitividade. 

O principal ganho está em devolver tempo para aquilo que realmente gera valor. “Dá para ganhar muito tempo tanto na pré-impressão quanto na produção, além de ter a segurança de que o trabalho será entregue corretamente”, concluiu.