Quem visita a FuturePrint 2026 encontra centenas de lançamentos em equipamentos, softwares, insumos e soluções para comunicação visual, impressão digital e impressão têxtil. Mas, entre as inovações tecnológicas apresentadas na feira, um tema vem ganhando cada vez mais espaço nas discussões: a necessidade de profissionalizar a gestão das empresas do setor para transformar investimento em resultado.
Na avaliação de Judah Adonai, embaixador digital da feira e fundador da AFACOM — instituição de ensino especializada em comunicação visual e gráficas —, o mercado vive uma nova fase.
Se durante muitos anos o diferencial competitivo esteve concentrado na aquisição de equipamentos, agora o crescimento sustentável passa pela capacidade de formar equipes, estruturar processos e tomar decisões baseadas em dados.
“Primeiro você tem as pessoas, depois os processos e, só então, a tecnologia”, resume o especialista.
O desafio de deixar de ser o “faz tudo”
Para Judah, um dos principais obstáculos ao crescimento das empresas de comunicação visual ainda está no modelo de gestão adotado por muitos empreendedores, que concentram praticamente todas as decisões e atividades do negócio.
“O empresário precisa deixar de ser o ‘faz tudo’. Enquanto tudo depender dele, a empresa terá dificuldade para crescer”, afirma.
Segundo o especialista, essa transformação acontece em etapas. A primeira consiste em encontrar pessoas comprometidas e desenvolver seus conhecimentos dentro da própria empresa.
“Às vezes queremos contratar alguém que já saiba fazer tudo. Esse não é o caminho. O caminho é formar a sua mão de obra.”
O segundo passo é estruturar processos.”Quando existe só a pessoa e não existe processo, ela vira o próprio processo. Se sair da empresa, leva junto todo aquele conhecimento.”
Somente depois dessa estrutura consolidada é que a tecnologia deve entrar como aceleradora da produtividade.
“Agora eu posso colocar checklist online, inteligência artificial, cronogramas de produção. A tecnologia potencializa aquilo que já está organizado.”
Profissionalização como diferencial competitivo
A defesa da profissionalização tem relação direta com a própria trajetória de Judah. Filho de empresário do setor, ele iniciou a carreira na comunicação visual, mas decidiu migrar para a educação depois de enfrentar dificuldades financeiras provocadas por decisões de gestão equivocadas.
Foi dessa experiência que nasceu a AFACOM, instituição voltada exclusivamente à capacitação de empresários e gestores da comunicação visual, que atualmente reúne mais de sete mil alunos distribuídos em oito países.
Na avaliação de Judah, durante muitos anos o segmento cresceu sem uma cultura consistente de formação empresarial.
“Quem ensinava o mercado era, muitas vezes, o vendedor de máquinas ou de suprimentos. Não existiam cursos, mentorias ou treinamentos específicos para gestão.”
Esse cenário, para o especialista, contribuiu para problemas que ainda afetam boa parte das empresas, como precificação inadequada, desconhecimento dos custos reais de produção e concorrência baseada exclusivamente em preço. “O conhecimento profissionaliza o mercado.”
A tecnologia precisa estar a serviço da estratégia
Ao acompanhar de perto a evolução da FuturePrint ao longo dos últimos anos, Judah observa que o setor dispõe hoje de tecnologias capazes de elevar significativamente a produtividade. O desafio, porém, está em fazer investimentos alinhados à estratégia da empresa.
“Não se apaixone pela máquina”, aconselha. “Apaixone-se pelos números da sua empresa.”
Ele lembra que um dos maiores erros da própria trajetória foi adquirir um equipamento motivado por um único grande contrato, sem avaliar se haveria demanda suficiente para sustentar aquele investimento.
“Ninguém me ensinou a vender. Eu sabia produzir, mas não sabia gerar demanda para manter aquela máquina trabalhando.”
Por isso, considera que uma feira como a FuturePrint vai muito além da exposição de equipamentos.
“Converse com os fabricantes. Pergunte sobre custos, produtividade, consumíveis, depreciação. Você tem uma consultoria gratuita com quem conhece aquela tecnologia profundamente.”
Ensinar as equipes a pensar
Outro ponto defendido por Judah é a necessidade de desenvolver equipes mais autônomas.
Na sua visão, líderes costumam ensinar apenas o que deve ser feito, quando deveriam explicar também por que determinada atividade é importante para o negócio.
“Você precisa parar de ensinar as pessoas o que elas têm que fazer e começar a ensinar por que elas fazem aquilo.”
De acordo com o embaixador, quando os colaboradores compreendem o propósito das decisões, tornam-se mais preparados para resolver problemas, tomar iniciativas e contribuir para a evolução da empresa.
A próxima transformação do setor passa pela gestão
A comunicação visual, para Judah, vive um momento de amadurecimento semelhante ao observado em outros segmentos industriais. A tecnologia continua sendo um dos principais motores da inovação, mas deixou de ser suficiente para garantir competitividade.
O futuro do setor dependerá cada vez mais da combinação entre equipamentos de alta performance, pessoas qualificadas, processos bem estruturados e gestão baseada em informações confiáveis.
É justamente essa convergência que a FuturePrint vem evidenciando ao reunir tecnologia, conteúdo e capacitação em um mesmo ambiente. Para empresários e gestores, a feira representa não apenas uma oportunidade de conhecer novos equipamentos, mas também de repensar modelos de gestão capazes de transformar inovação em crescimento sustentável.