A estamparia autoral deixou de ser apenas um campo criativo para se tornar uma oportunidade concreta de negócio para designers, pequenas marcas, empreendedores de moda e profissionais ligados à impressão digital. Na FuturePrint 2026, esse movimento ganhou espaço na fala de Mila Sanchez, criadora do Studio Mila Sanchez e embaixadora da feira.
Formada em Têxtil e Moda pela USP, Mila construiu uma trajetória que conecta moda, marketing digital, consultoria de estilo, produção de moda e design de estampas. Antes de consolidar seu próprio estúdio, atuou em um estúdio de estamparia de São Paulo, atendendo marcas nacionais e internacionais. Em 2020, retomou o projeto próprio com mais experiência de mercado e passou a desenvolver estampas exclusivas para clientes de moda, decoração e outros segmentos, além de cursos e mentorias para quem deseja empreender na área.
Sua relação com a FuturePrint começou há cinco anos, quando foi convidada para palestrar sobre design de estampas, tema que, segundo ela, ainda tinha pouca presença na feira. “Achei muito interessante porque era um nicho que poucas pessoas conheciam, até então na feira”, afirmou. Desde então, ela passou a integrar o grupo de embaixadores do evento.
Para Mila, estar na feira também tem um papel de representatividade. “Para mim é muito importante estar aqui como uma mulher. Vejo que são poucas mulheres ainda no grupo e representar também essa área da arte, por trás da impressão”, disse.
Designer precisa entender venda e mercado
Embora a criatividade seja a base do trabalho com estampas, Mila avalia que o principal desafio para transformar essa habilidade em negócio está na capacidade de vender e se posicionar. Segundo ela, muitos designers ainda se enxergam apenas como artistas e têm dificuldade de entender o processo comercial.
“O designer tem muita dificuldade em entender o processo e saber como se vender para o mercado”, afirmou. Para a especialista, a feira ajuda justamente por aproximar o profissional criativo de diferentes aplicações, tecnologias e nichos de produção.
Esse contato com o mercado é decisivo porque a estampa não se limita ao vestuário. Ela pode estar em moda feminina, infantil, decoração, brindes, acessórios, papelaria, produtos personalizados e colaborações com marcas de diferentes portes. “A estampa cabe em qualquer nicho”, destacou.
Impressão digital amplia aplicações para pequenas marcas
A presença crescente de soluções para impressão têxtil e personalização também abre caminho para negócios menores. Para designers independentes e pequenas marcas, a possibilidade de produzir com mais flexibilidade amplia o espaço para coleções autorais, tiragens menores, produtos personalizados e colaborações.
“A própria impressão digital facilita muito, porque você consegue fazer coisas que antes você não conseguia”, afirmou Mila.
Na avaliação da especialista, quem visita a FuturePrint em busca de oportunidades deve olhar para a feira como uma forma de entender a cadeia completa. A orientação é circular pelos espaços ligados ao têxtil, design de estampas, estamparia e tipos de impressão para compreender como cada solução pode se encaixar no próprio modelo de negócio.
IA como aliada no processo criativo
A inteligência artificial também apareceu como um dos principais pontos de atenção para quem atua com estamparia. Mila afirma que nunca enxergou a tecnologia como ameaça, mas como ferramenta capaz de ampliar possibilidades técnicas e visuais.
“A IA para mim nunca foi um inimigo, acho que é um grande aliado”, disse.
Segundo ela, a tecnologia pode ajudar o designer a alcançar resultados que seriam mais difíceis manualmente, como efeitos, bordados e composições visuais complexas. O diferencial, no entanto, continua sendo o olhar autoral de quem conduz o processo.
Para Mila, o uso genérico da IA já é uma realidade, mas isso não significa que a ferramenta elimine a importância da criação. O ponto central está em saber incorporá-la ao repertório do designer, sem abrir mão de direção estética, identidade e leitura de mercado.
Atualização constante será diferencial
Para quem está começando, Mila destaca que a estamparia é uma área em evolução permanente. Novas ferramentas, tecnologias de impressão, demandas de consumo e possibilidades de aplicação exigem estudo contínuo.
“É uma área que está em constante evolução. E se você acaba parando, com certeza o mercado te engole”, afirmou.
A recomendação da especialista é investir em conhecimento, tempo e prática, além de desenvolver uma visão mais ampla sobre negócio. Para ela, o futuro da estamparia autoral passa pela combinação entre criatividade, domínio técnico, uso inteligente da tecnologia e capacidade de se posicionar no mercado.