Tem uma coisa que eu vejo há muitos anos no nosso mercado. O cliente chega na estamparia com a arte pronta, fala a quantidade, escolhe a camiseta e pergunta: “Quanto fica?” Você faz as contas, passa o preço, produz e entrega.

Normal, não é? Só que tem um problema aí.

Depois de mais de três décadas trabalhando com estamparia, visitando empresas, dando treinamentos e também errando e acertando dentro da minha própria empresa, percebi uma coisa: o nosso conhecimento está entrando tarde demais no produto.

Pensa comigo. Quando a arte chega pronta, o tecido já foi escolhido, as cores estão definidas, o tamanho da estampa decidido e, muitas vezes, o cliente chega até falando qual técnica quer usar.

Aí sobra para quem realmente entende de estamparia dar um jeito de fazer funcionar.

Só que fazer funcionar não significa que aquela seja a melhor solução.

Quantas vezes um cliente já pediu alguma coisa e você pensou: “Eu não faria assim”? Você conhece tecido, tinta, cura, acabamento, processo e sabe onde aquele trabalho pode dar problema. Então por que usar todo esse conhecimento somente depois que praticamente tudo já foi decidido?

Eu vejo profissionais com um conhecimento técnico absurdo, mas que comercialmente continuam se apresentando apenas como alguém que faz estampa.

Sabem muito. Mas vendem pouco daquilo que sabem.

Quando o estampador participa da criação do produto

Na época em que trabalhei muito forte com surfwear, produzi para praticamente todas as grandes marcas do segmento que chegaram até a minha estamparia. E muitas vezes elas me procuravam não apenas para executar uma estampa. Queriam saber o que dava para fazer de diferente.

Eu me lembro até hoje de uma camiseta em especial. Era azul-marinho, com uma flocagem enorme, de cerca de 50 centímetros, em degradê. Começava no branco, passava pelos tons de azul e ia escurecendo até praticamente chegar ao mesmo marinho da camiseta.

Naquela época, aquilo chamou muita atenção. A estampa fez tanto sucesso que outras marcas começaram a querer aquele tipo de trabalho também.

Foi aí que comecei a entender que aquelas marcas não estavam procurando apenas alguém que soubesse estampar. Elas estavam procurando ideias, novidades e aquilo que nós conseguíamos criar dentro da estamparia.

E o mais interessante é que isso não ficou lá atrás.

Esta semana mesmo, vi um aluno, o Luismar, vivendo praticamente a mesma situação. O cliente entregou uma arte para ele e falou:

“Toma a arte e cria o que você acha melhor.”

Olha a força disso.

O conhecimento técnico como diferencial na estamparia

É exatamente isso que eu chamo de Método UAU e que ensino hoje para empresas e alunos: não esperar o cliente dizer exatamente o que você precisa fazer, mas usar seu conhecimento para apresentar possibilidades, criar algo diferente e ajudar na construção do produto.

Não é simplesmente colocar um efeito para ouvir um “uau”. É fazer o cliente perceber que existe conhecimento por trás daquilo que você entrega.

Eu vivi isso anos atrás com grandes marcas e continuo vendo acontecer hoje. As tecnologias mudaram, as técnicas evoluíram, mas o valor de ser reconhecido pelo que você sabe continua o mesmo.

Produto Estrela: quando a técnica valoriza a ideia

Essa forma de pensar também ajudou a construir uma ideia que hoje chamo de Produto Estrela e que desenvolvo no meu livro Estampando o Sucesso.

Produto Estrela não é simplesmente fazer uma estampa bonita ou usar uma técnica diferente.

Trabalho há muitos anos com relevo, foil, flocagem e vários outros efeitos e posso afirmar: técnica sozinha não vende produto.

Antes da técnica, eu quero saber: Para quem é esse produto? Por que essa pessoa compraria? O que vai fazê-la olhar e desejar essa camiseta?

Depois pensamos na técnica. Ela entra para valorizar a ideia.

Por isso, em vez de perguntar apenas “Que técnica eu posso fazer?”, experimente perguntar:

“Que produto eu consigo criar com tudo aquilo que sei fazer?”

Parece a mesma coisa. Não é.

Só estampar não basta

Máquinas vão mudar, tintas vão evoluir e novas tecnologias vão aparecer. Faz parte.

Mas existe uma coisa que continua tendo valor: conhecimento, principalmente quando conseguimos transformá-lo em solução.

E dá para perceber isso até pelas perguntas dos seus clientes. Existe uma diferença enorme entre ele chegar perguntando “Quanto custa para fazer?” e chegar dizendo “Toma a arte e cria o que você acha melhor.”

Quando isso começa a acontecer, alguma coisa mudou.

Guia de texturas e acabamentos especiais na serigrafia

Do alto-relevo ao brilho metálico, este guia gratuito mostra como acabamentos sensoriais transformam estampas em experiências e agregam valor real a produtos de moda, brindes e comunicação visual.

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O cliente não está comprando apenas sua produção. Ele está comprando sua experiência, seu repertório e sua capacidade de criar.

Você deixou de ser apenas quem recebe uma arte e executa. Passou a fazer parte da construção do produto.

E talvez seja exatamente por isso que, depois de tantos anos nesse mercado, eu continuo repetindo:

Só estampar não basta.

Por Marcio Strama
Dr Estampa
@drestampaoficial