O papel transfer tem uma função extremamente importante no processo de impressão de estampas e, por isso, saber escolher o tipo mais adequado é requisito básico para um trabalho de qualidade. Afinal, é ele que recebe, inicialmente, a impressão das imagens que serão transferidas posteriormente para substratos diversos (camisetas, canecas, canetas etc.) por meio do calor e da pressão.
A impressão no papel transfer pode ser feita por mais de um tipo de impressora – jato de tinta, laser ou offset –, mas definir a versão que será utilizada é a primeira medida a ser tomada, uma vez que o papel tem de ser compatível com ela, assim como com o substrato e a tinta adotada.
Além do tipo de impressora, é importante observar as especificações do próprio papel transfer e a aplicação pretendida. Materiais desenvolvidos para impressão jato de tinta, por exemplo, não devem ser usados automaticamente em equipamentos laser. Da mesma forma, papéis destinados à sublimação exigem tinta e substratos compatíveis com esse processo.
No mercado, existe uma infinidade de papéis transfer. Por isso, separamos, a seguir, os principais tipos para que você entenda qual o mais adequado em cada situação. Confira:
Papel transfer adesivo
Este é um material que possui uma película adesiva sensível ao calor. Nesse caso, ela recebe a impressão primeiro para que, posteriormente, seja aplicada no substrato.
Em outras palavras, este é um processo que “solda” a película à superfície do substrato, a maneira antiga de se fazer transfer.
De acordo com Rubens Ioricci, da Papéis Havir, temos dois sistemas que podem usar adesivos com impressoras: “há a possibilidade de imprimir em impressoras digitais em folhas, nos formatos A3 ou A4 e depois cortar, ou seja, meio corte em plotter de recorte. Já existem, também, impressoras solventes de plotter de recorte que fazem as duas operações, ou seja, elas imprimem e fazem o meio corte”, afirma.
A grande vantagem do papel transfer adesivo é o fato de ele ser branco. Com isso, é possível imprimir a imagem em CMYK, deixando algumas áreas vazadas para que o fundo branco surja na transferência.
Papel transfer inkjet
O papel inkjet foi desenvolvido para o uso em impressoras a jato de tinta. Normalmente, ele conta com várias camadas, cada uma com uma função distinta.
A camada superior do papel tem como objetivo fazer o gerenciamento de tinta. Logo abaixo, estão as camadas de ligação que ajudam a adesão da tinta durante a prensagem. E, por fim, temos a última, responsável por desprendê-la dos elementos de ligação do papel.
Dá para usar papel transfer em impressora comum?
Sim, alguns tipos de papel transfer podem ser utilizados em impressoras domésticas ou de pequeno formato, especialmente equipamentos jato de tinta. Isso não significa, porém, que qualquer papel transfer seja compatível com qualquer impressora.
Antes da utilização, é necessário verificar se o material é indicado para a tecnologia do equipamento, para a tinta usada e para o substrato que receberá a transferência.
Por isso, para quem busca papel transfer para impressora comum, o primeiro passo é identificar se o equipamento é jato de tinta ou laser e escolher um papel compatível com o processo.
Papel transfer para impressão a laser
Apesar de ter algumas similaridades com o papel inkjet, o papel destinado para impressão a laser possui uma camada superficial bastante diferente.
Com o transfer a laser, a película de toner fica apenas na superfície do papel. Mas, assim como o inkjet, toda a área além da imagem é transferida para o substrato.
As impressoras a laser utilizam calor no processo de fixação do toner, por isso o papel precisa ser desenvolvido para essa tecnologia. Além disso, a variedade de equipamentos e toners torna importante a realização de testes entre os sistemas de impressão e os papéis para encontrar a combinação mais adequada ao resultado pretendido.
“Recentemente, as impressoras a laser estão sendo utilizadas para fazer transfer em substratos plásticos. As imagens são impressas em folhas especiais que, depois, são transferidas em pequenas thermotransfers (películas). Com temperatura de 150° C e em poucos segundos, é possível realizar a transferência em copos, canetas e muitos outros itens para brindes”, ressalta Rubens.
Os parâmetros citados correspondem à aplicação descrita pelo entrevistado. Temperatura, pressão e tempo de transferência podem variar conforme o papel, o substrato e o equipamento utilizado.
Papel transfer sublimático
Usado com tintas sublimáticas em impressoras compatíveis com esse processo e desenvolvido especialmente para a sublimação, o papel transfer sublimático recebe a tinta antes que ela seja transferida ao substrato.
Como este papel não possui agente de ligação, nem toda a sua superfície é transferida. A tinta sublimática se transforma em gás durante a prensagem e depois se fixa ao material compatível.
Por isso, papel transfer sublimático e outros tipos de papel transfer não devem ser tratados como materiais equivalentes. A sublimação exige tinta específica e substratos compatíveis com o processo.
“A sublimação está condicionada a substratos sintéticos e brancos, materiais que resistam a temperatura de 200° C e com o tempo de 20 segundos para a transferência. Ela é utilizada em camisetas, bonés, materiais têxteis, almofadas e também em produtos que contenham uma resina sintética aplicada, como canecas de cerâmicas brancas, mousepad e squezze”, finaliza.
Os valores de temperatura e tempo mencionados representam a aplicação descrita pelo entrevistado e não devem ser considerados universais. As condições de transferência variam conforme tinta, papel, substrato e equipamento.
Para aprofundar a etapa de transferência, vale conhecer também os diferentes tipos de prensa disponíveis para sublimação.
Como imprimir em papel transfer?
O modo de imprimir em papel transfer depende do tipo de material e da tecnologia utilizada. Antes de iniciar o processo, é importante:
- verificar se o papel é compatível com a impressora;
- identificar o lado correto para impressão;
- conferir a configuração recomendada para o material;
- verificar se a arte precisa ser espelhada;
- seguir as orientações de temperatura, pressão e tempo de transferência;
- realizar testes antes de iniciar uma produção maior.
A necessidade de espelhar a imagem, por exemplo, varia conforme o sistema utilizado e não deve ser considerada uma regra válida para todos os tipos de transfer.
Qual papel transfer escolher para cada aplicação?
A escolha deve considerar a combinação entre impressora, tinta ou toner, papel e substrato. Também vale avaliar o acabamento esperado, as recomendações de aplicação e as condições de produção.
Para empresas de impressão e personalização, testar a combinação antes de grandes tiragens ajuda a reduzir desperdícios, retrabalho e resultados inconsistentes.