O ano mal começou e eu já estava na estrada. Rio Grande do Sul. Três cidades, três empresas e uma certeza: o mercado está se movendo e alguns já saíram na frente.

Assim que cheguei em Porto Alegre, fui direto encontrar amigos da serigrafia. Almoço com o pessoal da Mouse, papo show e energia boa para começar a jornada com o pé direito.

De lá, segui para Estrela. Uma fábrica incrível, com uma equipe organizada, ambiente de respeito e foco. Fui chamado para ajustar processos, identificar gargalos… e mais do que isso: ajudar a transformar técnica em resultado real.

No dia seguinte, Caxias do Sul. Mais uma empresa com estrutura forte e gente top. Ali, o desafio estava na fixação e no tack, nos testes de ancoragem em tecidos mais difíceis e nos acabamentos que estavam
dando dor de cabeça. E é aí que entra o detalhe técnico: ordem de camadas, tipo de base, tempo de cura… tudo isso precisa de precisão.

Pra fechar, Novo Hamburgo. Confesso: achei que ia pegar frio, mas passei foi muito calor. Uma estamparia estruturada, com pessoal experiente e, mais uma vez, o foco era claro: não era apenas técnica, era direção. Entender o ponto exato que precisava de ajuste e fazer o movimento certo.

O que diferencia quem cresce de quem fica parado?

  • Não é o tamanho da empresa.
  • Não é o número de máquinas.
  • Nem o galpão moderno.

A diferença está na postura. Na disposição de olhar de forma estratégica para dentro do processo. Essas três empresas têm algo em comum: não esperam o problema virar prejuízo. Chamam alguém de fora, fazem testes orientados, revisam o processo e vão direto ao ponto.

Os desafios eram reais:

  • Tinta que não ancorava direito;
  • Tecidos que não seguravam plastisol;
  • Estampas lindas que perdiam impacto depois de usadas.

E, como sempre digo: o problema não era só a tinta. Era o método. Era a sequência. Era a leitura errada do substrato. Sigo firme: testando, documentando e ajustando tudo que for preciso.

Levei comigo alguns tecidos e, vou te falar, ainda estão me dando trabalho. Mas, como sempre fiz, não paro enquanto não encontro o ajuste certo.

Estampar com direção é outro jogo. Não é só estampar. É entender o porquê da tinta, da demão, da cura e do acabamento. É criar algo vendável, durável e que fidelize quem veste.

Enquanto muitos correm para trocar tudo, essas empresas mostram que o segredo está em ajustar o que realmente importa. Às vezes, é só inverter a sequência. Mudar o tempo do flash. Trocar a base. Ou entender por que aquela peça que sempre dava certo… agora não dá mais.

A certeza que levo comigo, a cada nova fábrica que entro, reforça algo que carrego há anos: a estamparia brasileira tem um potencial gigante e ainda inexplorado por muitos. Mas não é qualquer um que aproveita esse potencial. É quem tem coragem de parar, escutar, revisar, testar e ajustar com intenção. É quem entende que resultado não vem de sorte, vem de método.

Essa é um pouco da minha vida como mentor: rodando o Brasil, trocando ideia olho no olho, colocando a mão na tinta e ajudando cada empresa a sair do automático e enxergar o que realmente importa. Porque quem tem clareza, vai mais longe. E quem tem direção, transforma técnica em crescimento real.