A exposição FRAME – Pôsteres serigráficos de João Ruas, em cartaz na Casa Osten, em Pinheiros (SP), entra em seus últimos dias de visitação e segue aberta ao público até 31 de janeiro. A mostra propõe um olhar didático sobre a serigrafia, técnica tradicionalmente associada à indústria gráfica, apresentada aqui como ferramenta de criação artística e expressão autoral.
Ao todo, a exposição reúne mais de 30 trabalhos, entre rascunhos, provas de impressão e artes finais. As obras foram produzidas por João Ruas para estúdios como A24, Mosfilm, Warner Bros. e Universal, e reinterpretam visualmente filmes clássicos como Ran, Sangue Negro, O Sétimo Selo, Magnólia, Alien e Além da Linha Vermelha. Todas as peças fazem parte de tiragens limitadas e foram aprovadas pelos detentores dos direitos autorais e, em alguns casos, pelos próprios diretores dos filmes.
A serigrafia como processo artístico
O principal eixo da exposição é o uso da serigrafia artística, técnica baseada na impressão por camadas. Em FRAME, os pôsteres são produzidos com seis a oito cores, aplicadas uma a uma, em um processo que exige precisão, planejamento e domínio técnico. Cada cor corresponde a uma matriz diferente, o que torna o registro e o alinhamento etapas decisivas do trabalho.
Em vez de buscar a padronização típica dos processos industriais, João Ruas explora as particularidades do método. Pequenas variações de tinta, marcas do papel, desgastes e sobreposições fazem parte do resultado final. Esses elementos evidenciam o caráter manual da serigrafia e reforçam sua aplicação como linguagem artística, na qual cada impressão apresenta sutis diferenças.
Imperfeição e estética wabi-sabi

O trabalho de Ruas dialoga com o conceito japonês de wabi-sabi, que valoriza a imperfeição, a transitoriedade e o desgaste natural dos materiais. Na exposição, a erosão da imagem não é tratada como falha técnica, mas como parte do processo criativo. A construção visual se dá entre controle e acaso, combinando desenho preciso com interferências que surgem ao longo da impressão.
Esse método mostra que a serigrafia vai além da simples reprodução de imagens. A técnica passa a ser usada como forma de criação artística, incorporando o tempo de execução, o gesto manual e as características do material ao resultado final.
Cinema reinterpretado pela impressão
Nenhum dos pôsteres apresentados reproduz cenas específicas dos filmes. As imagens funcionam como interpretações visuais dos temas, atmosferas e conflitos das obras cinematográficas. A serigrafia, com sua construção em camadas e forte presença material, torna-se o meio adequado para essa tradução conceitual.
A presença de rascunhos e provas de impressão permite ao visitante acompanhar todas as etapas do processo, do desenho inicial ao resultado final. Para profissionais e interessados em impressão, design gráfico e artes visuais, a exposição oferece uma leitura clara e acessível sobre o potencial artístico da serigrafia.
Últimos dias para visitação
Nascido em São Paulo, João Ruas construiu carreira internacional como ilustrador e artista visual, com obras em coleções públicas e privadas no Brasil e no exterior. Em FRAME, essa trajetória se traduz em um conjunto que articula cinema, técnica gráfica e produção artesanal.
Com entrada gratuita, a exposição FRAME – Pôsteres serigráficos de João Ruas pode ser visitada até 31 de janeiro, na Casa Osten, em São Paulo.
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