Os objetos de impressão 3D ainda surpreendem e despertam muita curiodade no Brasil. Tanto para empreendedores como para o publico leigo. Durante a FuturePrint 2026, os estandes com máquinas e insumos para esse mercado se manteram cheios e com muitos interessados.
Projeções mostram o setor em plena expanção. Segundo o Grupo IMARC, o mercado de impressão 3D no Brasil alcançou USD 730,0 milhões em 2025 e deve atingir USD 3.030,0 milhões até 2034, com uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de 17,20% entre 2026 e 2034.
Esse crescimento é impulsionado pela crescente demanda por prototipagem rápida no setor automotivo, pela adoção crescente de tecnologias no setor de saúde para implantes personalizados, pelos avanços em impressoras 3D mais acessíveis, pelo uso ampliado na construção visando maior sustentabilidade e pelas iniciativas de fabricação local que reduzem a dependência de cadeias de suprimentos globais.
Segundo Ruy Yamauchi, representante da BambuLab Tu e Lá — marca de impressoras 3D Bambu Lab no Brasil —, o mercado de impressão 3D entrou em um ritmo explosivo desde o ano passado, dobrando a cada quatro meses. “Até 2020, esse mercado era formado basicamente por entusiastas — os makers e especialistas. A partir de 2022, com o surgimento da Bambu Lab, o setor ganhou uma proposta mais amigável, deixou de ser um nicho industrial e se tornou essencial em várias áreas. Pessoas comuns começaram a imprimir, e isso expandiu para todo o mundo”, explica Yamauchi.
Participando pelo segundo ano consecutivo da feira, a empresa destaca a importância do evento para o setor. “Essa é a maior vitrine de divulgação da América Latina, principalmente na parte de 3D. Não existe outro evento como este”, afirma Ruy Yamauchi.
Leandro Fagundes, diretor comercial e de marketing da Multifila, empresa brasileira que se posiciona como um ecossistema completo de impressão 3D, também destaca o crescimento entre makers e hobistas. “O mercado dos entusiastas cresce muito. Muitas pessoas começam se divertindo e, a partir disso, descobrem produtos que podem escalar e transformar em negócios. É uma forma de empreendedorismo que surge da diversão”, comenta.
A Multifila está participando pela primeira vez de uma feira e celebra a experiência. “É a nossa primeira vez, não só nessa feira, mas em feiras no geral. Estamos estreando com o pé direito e muito satisfeitos”, afirma Leandro.
A participação tem como objetivo fortalecer a marca e ampliar conexões. “Queremos reforçar o trabalho de brand, o posicionamento da Multifila, lançar produtos e conectar com nossos parceiros, além de buscar novas revendas pelo Brasil”, explica.
Leandro também aponta que a democratização do acesso aos arquivos e a redução de custos foram fatores decisivos para o crescimento do setor nos últimos anos. “Antes, o mercado era muito nichado pela complexidade de acesso aos arquivos para imprimir. Hoje, com os portais e a tecnologia, é possível comprar uma impressora e começar a imprimir com arquivos prontos. Isso destravou o acesso e reduziu a barreira de entrada no segmento.”
Qual o caminho para emprender com 3D?
Segundo Ruy, especialista no setor, hoje em dia, está tudo super bem, porque as máquinas têm suporte, assistência técnica, ampla biblioteca e informação não falta.
Para quem deseja começar a investir, o processo é simples. “Só precisa comprar uma impressora. A partir de R$ 2.000, já é possível adquirir uma máquina que tem acesso à mesma plataforma utilizada por equipamentos de R$ 30.000. A experiência em termos de software é praticamente a mesma, e o custo dos materiais é muito baixo. Por exemplo, 1 kg de PLA, um plástico à base de cana-de-açúcar, custa cerca de R$ 100”, explica o especialista.
A margem de lucro também é atrativa. “Depende do nicho que a pessoa acessa, mas, em geral, o que se gasta com material pode ser multiplicado por 15 ou 20 vezes no valor de venda”, afirma.
Além disso, o mercado tem se tornado cada vez mais democrático. “Hoje em dia, vendemos impressoras em papelarias, não apenas em lojas especializadas”, ressalta Ruy.
Com o avanço da tecnologia, a impressão 3D também se integra a outras inovações, como a inteligência artificial. “Hoje, você pode escrever o que deseja e a IA cria o objeto. É um processo super simples, feito em softwares acessíveis”, conclui Ruy.