Deixa eu falar de algo que eu vejo o tempo todo acontecer na indústria.
O designer cria a estampa, coloca a técnica na ficha técnica, manda pra estamparia.
Quando o tecido volta, alguém olha e fala:
“Não era bem isso que eu estava imaginando.”
Na maioria das vezes, ninguém errou.
O problema foi comunicação.
E é por isso que a amostra de estamparia é tão importante. Não como detalhe bonito, mas como ferramenta real de trabalho.

Amostra não é amostra de pedido!!

E aqui é importante deixar claro uma coisa.

Quando eu falo de amostra, não estou falando da amostra de pedido.
Não é a bandeira que a estamparia faz para o cliente aprovar aquele trabalho específico.

Estou falando das amostras de portfólio da estamparia (alguns chamam de bandeiras também, outros de patches).
Elas mostram, de forma clara, quais técnicas a estamparia faz, como ela faz e com que qualidade ela entrega.

Isso ajuda a estamparia a se apresentar melhor.
Ajuda a marca a escolher melhor também e ajuda o designer a saber com quem vale a pena criar parceria.

Nome de técnica não garante entendimento

No papel, tudo parece claro.
Mas na prática, cada estamparia fala uma língua.

O que uma chama de relevo, a outra chama de expansivo.
O que em uma é clear, na outra é base d’água.

E isso muda muita coisa! Muda toque, muda a cobertura, muda definição, muda o resultado final.

Sabe, quando isso fica só escrito na ficha técnica, todo mundo acha que está falando da mesma coisa. Mas não está!

A amostra resolve isso de forma tão simples, porque não importa o nome da técnica, mas como ela fica no tecido.

A amostra protege o designer de estampa

Para o designer de estampa, a amostra é segurança.

Ela ajuda a confirmar se a técnica que a gente está colocando na ficha técnica é realmente aquela que vai aparecer na peça final.

E mais do que isso, ajuda a entender a qualidade da aplicação daquela técnica por aquela estamparia específica.

Porque nem toda estamparia consegue fazer todas as técnicas com o mesmo nível de qualidade. E isso não é um problema. É realidade de estrutura.

Tem estamparia que até faz determinada técnica, mas não tem o equipamento mais adequado, ou não tem espaço físico para aquele tipo de processo.
E aí o resultado pode não ser tão bom, não porque a estamparia é ruim, mas porque aquela técnica não é o “forte” dela!

Um exemplo clássico é estampa flocada, que algumas chamam de flock.
Nem toda estamparia pega para fazer, porque dá sujeira, exige espaço, exige estrutura específica.

(IMAGEM – amostra da técnica de floclado do Dr. Estampa)

Então não adianta o designer de estampa ou a estilista da marca colocar isso na ficha técnica achando que qualquer estamparia vai executar bem.

A amostra revela isso antes. Mostra o que aquela estamparia realmente faz bem.

Isso é importante também para marcas e fábricas

A amostra não serve só para o designer.

Para a marca de moda, ela é fundamental.
Porque, na maioria das vezes, a marca é quem menos sabe de técnica.
Ela só sabe que quer algo diferente, algo com efeito, algo que valorize o produto.
Mas não sabe o nome da técnica, não sabe o limite do tecido e muitas vezes nem sabe que existem tecidos que não funcionam para determinadas técnicas.

Quando a estamparia tem amostras organizadas, a marca consegue enxergar o que é possível.
Consegue entender o que aquela estamparia oferece.
E consegue pedir melhor.

Isso ajuda a fábrica a planejar melhor, ajuda a marca a alinhar expectativa e evita frustração lá na frente.

No fim, é alinhamento

A amostra organiza o processo.

Ela ajuda o designer a saber se o que ele está colocando na ficha técnica é o que vai sair no produto final.
Ajuda a estamparia a mostrar o que realmente oferece.
E ajuda a marca a pedir de forma mais consciente.

Quando todo mundo olha para a mesma referência, a produção flui.
E o desenvolvimento de produto melhora muito.

Simples assim!!